- homens? vixe, faz tempo...
pois é, homens... não há mulher, irmão, que goste dessa vida. ela pega o copo firme como quem sabe o que diz. pensa em adicionar que a partir de só seria das mulheres. lindas monalisas. mas uma listra não deixa. é, algo que uma listra atrapalhe talvez não seja algo a ponto de. eram listras médias horizontais que combinavam com seu tipo físico. sempre achei listras bonitas, até posso usar as verticais -que alongam- mas queria mesmo as deitadinhas. ela olha o menino zebra e pensa que foi bom não ter anunciado sua nova opção sensual. o mundo é muito preconceituoso, isso é algo realmente pessoal e, ah, essas listras... ela precisa reagir, não se entregar assim, como quem nada quer. mas não.
- hey, quem é o? - o é um calouro.
além de listras, cênicas. um calouro de cênicas.
- poxa, um broto.
- vixe, cai fora. o recém terminou um namoro longo.
hum, interessante. já sei algo sobre o zebrado. e deu zebra. nem precisa pedir que caio fora. já amei, sei bem como é, sabe? é menina, não há ninguém capaz de ser isso que você quer. então ela volta pro plano A. e madonnas, monalisas, barra limpa, luta vã, jardim, flores, borboletas. fotos, cabelo molhado e violão. elefantinho, los barbudos, los barbudos e the clash. espuma, lençóis e beijinho de hortelã. tava bom demais e mais um pouco. mas não tem mistério não, é só seu coração que não a deixa amar. não é pra ela esse lance de mona. e ela foi pra festa e entendeu um protótipo de orgia. e da orgia foi pro inferno e lá estava: o, palhacinho na multidão. de nariz vermelho e tudo. nesse tempo já tinham até trocado idéia... ela até sabia o nome dele! e acredita que ele estava de listra de novo? pois é, estava. listras coloridas, bem bonitas. sabe, essa festa tava muito cheia. dizem até que um pessoal de longe, beeeem longe veio para ver. então ele pegou na mão dela, assim ninguém se perde. idéia boa, não? foi daquele jeito, sabe? um jeito que nunca mais... mas naquele, só naquele dia não soltou. no meio daqueles corpos blécat, mãos dadas. até que não sabiam mais quem segurava a mão de quem. ele é calado, ela sabe, mas sua mão e seus olhinhos de estrelinha falam bastante. um presentinho mesmo. difícil saber o que isso significa no jeito Kalakaua de ser. jeito que cala, que faz calos. kahlo, é isso! Frida Kahlo! ele parece uma pintura de Frida Kahlo! daquelas superelaboradas e confusas e esquisitas e estranhas. e como tal difícil de entender, viver... ah, mas garanto na parte que me toca, que me toca lá dentro, que me faz feridas e calos. senta aqui, que hoje eu quero te falar sobre suas listras. ah, suas listras... me da um abraço, pô! e ela queria falar tanto, tanto, um bocado. queria falar sobre ela estar lá, isso não era para ter acontecido, não estava nos planos. e eles estavam em outro plano, nuance tunt tunt. lógico que, romântica amadora que é, ao som de los barbudos tudo fica mais mais. mas muito mais alucinante ao som tunt tunt. delícia. até o palaço com chuva que andava atrás deles com o esqueleto do guarda-chuva e que não dava a mão e mesmo assim não se perdia, uma hora se afastou. isso é realmente relevante. nessa hora ela entendeu que talvez as mãos dadas fossem outro tipo de necessidade quenão a de não se perderem, a de saberem-se. sempre achei mão dada uma coisa tão íntima que nem sei... nem paro pra pensar, é melhor. deram um abraço, caras de batom e tchau.
ele não vai na festa do los barbudos? mas como não? e o elefantinho? cabelinho na cara? listras? e o batom borrado? me diz, cadê você ai? e ela tinha que estar lá. um troço quase profissional, carteira assinada. quase quase espiritual. aniversário, sabe? mas sem saber por onde, ela entra no carro e vai pro bar. ela trocou los barbudos por um bar, por rabo de galo. pelo lirismo bêbado que se pensa épico. ela entra no carro e vai pro bar. ela traiu los barbudos. trocou o clichê de escutar essa estória cantada e não ter nem sequer um par pra dividir. trocou ausência, pra ir no bar e ver, ter presença. o que ela não sabia é que mesmo assim não há sequer um par pra dividir. presença, mesmo que distante, silenciosa. mesmo que te matando surdamente -ainda assim presença. daí carona e um beijo. beijo pedido que ela pediu. ele não deixa nem roubar... vergonha grau 19. e, ah, mais silêncio e silêncio e silêncio e isso me deixa jururu pra caramba. e mais bar, mais rabo de galo, mais silêncio, mais silêncio, mais carona, mais rua que tantofaz, mais beijo, mais mais. e ele até relou nela... pena que estava bêbada. ou pena que ele não estava. depois eles até cantaram los barbudos, ela no ovinho e ele no violão. e mais nada, nadinha mais. ela bem que tentou, mas desejou morrer depois. eu disse que ele não deixa roubar. mesmo assim ela tentou. e não. e NÃO! ele não quer viver as coisas com você. e agora ela tem medo dele. poxa, custa falar direito? você ta assustando ela, cara! às vezes ela parece forte, mas, ah, se assusta fácil fácil... sabe, conversar pode ser um jeito de defender um jeitinho ou timidez de interpretações idiotas, por pessoas idiotas. mas se ele não diz ela não pode saber. então ela inventa, pois que se é no não que se descobre de verdade, o que me sobra além das coisas casuais? e salve salve a internet que mente muito e nos faz ouvir '80ção, 20ver' e nos abriga a dizer '100essa! 70menganar mas não consegue'. essa é a comunicação defensiva: use-a ou morra por engano. e além disso faz passar vergonha por repetir assuntos tópicos na falta deles e ter que usar o hipotiroidismo como desculpa pela falha da memória. vergonha grau 25. vida longa à internet, viva! e ontem teve show do los barbudos e o nome dele tava na lista. chique, eu sei. eu disse que o lance era quase profissional, carteira assinada, coisa e tal, curicutri. eu mando. e mesmo assim ele não foi. ta certo que nem sabia que tava na lista... mas não foi. e eu até que esperei um tico... hey, senta aqui, espera que eu não terminei. pra onde é que você foi que eu não te vejo mais? e sabe quando termina a música e o barbudo diz aquilo, sabe? aquela parte do achando que sofrer é a amar demais? mas não é demais. é amar um pouco. basta uma noite, uma mão. basta um silêncio foda. isso basta para ficar jururu pra caralho. me diz se assim está em paz? porque eu não to. não fico. não sem um abraço de 'tá bom, tá tudo bem'. e ele não vai mais nos shows, mas ela continua pulando pulando com seu all star detonado. até que alguém a ponha no chão. até.
pois é, homens... não há mulher, irmão, que goste dessa vida. ela pega o copo firme como quem sabe o que diz. pensa em adicionar que a partir de só seria das mulheres. lindas monalisas. mas uma listra não deixa. é, algo que uma listra atrapalhe talvez não seja algo a ponto de. eram listras médias horizontais que combinavam com seu tipo físico. sempre achei listras bonitas, até posso usar as verticais -que alongam- mas queria mesmo as deitadinhas. ela olha o menino zebra e pensa que foi bom não ter anunciado sua nova opção sensual. o mundo é muito preconceituoso, isso é algo realmente pessoal e, ah, essas listras... ela precisa reagir, não se entregar assim, como quem nada quer. mas não.
- hey, quem é o? - o é um calouro.
além de listras, cênicas. um calouro de cênicas.
- poxa, um broto.
- vixe, cai fora. o recém terminou um namoro longo.
hum, interessante. já sei algo sobre o zebrado. e deu zebra. nem precisa pedir que caio fora. já amei, sei bem como é, sabe? é menina, não há ninguém capaz de ser isso que você quer. então ela volta pro plano A. e madonnas, monalisas, barra limpa, luta vã, jardim, flores, borboletas. fotos, cabelo molhado e violão. elefantinho, los barbudos, los barbudos e the clash. espuma, lençóis e beijinho de hortelã. tava bom demais e mais um pouco. mas não tem mistério não, é só seu coração que não a deixa amar. não é pra ela esse lance de mona. e ela foi pra festa e entendeu um protótipo de orgia. e da orgia foi pro inferno e lá estava: o, palhacinho na multidão. de nariz vermelho e tudo. nesse tempo já tinham até trocado idéia... ela até sabia o nome dele! e acredita que ele estava de listra de novo? pois é, estava. listras coloridas, bem bonitas. sabe, essa festa tava muito cheia. dizem até que um pessoal de longe, beeeem longe veio para ver. então ele pegou na mão dela, assim ninguém se perde. idéia boa, não? foi daquele jeito, sabe? um jeito que nunca mais... mas naquele, só naquele dia não soltou. no meio daqueles corpos blécat, mãos dadas. até que não sabiam mais quem segurava a mão de quem. ele é calado, ela sabe, mas sua mão e seus olhinhos de estrelinha falam bastante. um presentinho mesmo. difícil saber o que isso significa no jeito Kalakaua de ser. jeito que cala, que faz calos. kahlo, é isso! Frida Kahlo! ele parece uma pintura de Frida Kahlo! daquelas superelaboradas e confusas e esquisitas e estranhas. e como tal difícil de entender, viver... ah, mas garanto na parte que me toca, que me toca lá dentro, que me faz feridas e calos. senta aqui, que hoje eu quero te falar sobre suas listras. ah, suas listras... me da um abraço, pô! e ela queria falar tanto, tanto, um bocado. queria falar sobre ela estar lá, isso não era para ter acontecido, não estava nos planos. e eles estavam em outro plano, nuance tunt tunt. lógico que, romântica amadora que é, ao som de los barbudos tudo fica mais mais. mas muito mais alucinante ao som tunt tunt. delícia. até o palaço com chuva que andava atrás deles com o esqueleto do guarda-chuva e que não dava a mão e mesmo assim não se perdia, uma hora se afastou. isso é realmente relevante. nessa hora ela entendeu que talvez as mãos dadas fossem outro tipo de necessidade quenão a de não se perderem, a de saberem-se. sempre achei mão dada uma coisa tão íntima que nem sei... nem paro pra pensar, é melhor. deram um abraço, caras de batom e tchau.
ele não vai na festa do los barbudos? mas como não? e o elefantinho? cabelinho na cara? listras? e o batom borrado? me diz, cadê você ai? e ela tinha que estar lá. um troço quase profissional, carteira assinada. quase quase espiritual. aniversário, sabe? mas sem saber por onde, ela entra no carro e vai pro bar. ela trocou los barbudos por um bar, por rabo de galo. pelo lirismo bêbado que se pensa épico. ela entra no carro e vai pro bar. ela traiu los barbudos. trocou o clichê de escutar essa estória cantada e não ter nem sequer um par pra dividir. trocou ausência, pra ir no bar e ver, ter presença. o que ela não sabia é que mesmo assim não há sequer um par pra dividir. presença, mesmo que distante, silenciosa. mesmo que te matando surdamente -ainda assim presença. daí carona e um beijo. beijo pedido que ela pediu. ele não deixa nem roubar... vergonha grau 19. e, ah, mais silêncio e silêncio e silêncio e isso me deixa jururu pra caramba. e mais bar, mais rabo de galo, mais silêncio, mais silêncio, mais carona, mais rua que tantofaz, mais beijo, mais mais. e ele até relou nela... pena que estava bêbada. ou pena que ele não estava. depois eles até cantaram los barbudos, ela no ovinho e ele no violão. e mais nada, nadinha mais. ela bem que tentou, mas desejou morrer depois. eu disse que ele não deixa roubar. mesmo assim ela tentou. e não. e NÃO! ele não quer viver as coisas com você. e agora ela tem medo dele. poxa, custa falar direito? você ta assustando ela, cara! às vezes ela parece forte, mas, ah, se assusta fácil fácil... sabe, conversar pode ser um jeito de defender um jeitinho ou timidez de interpretações idiotas, por pessoas idiotas. mas se ele não diz ela não pode saber. então ela inventa, pois que se é no não que se descobre de verdade, o que me sobra além das coisas casuais? e salve salve a internet que mente muito e nos faz ouvir '80ção, 20ver' e nos abriga a dizer '100essa! 70menganar mas não consegue'. essa é a comunicação defensiva: use-a ou morra por engano. e além disso faz passar vergonha por repetir assuntos tópicos na falta deles e ter que usar o hipotiroidismo como desculpa pela falha da memória. vergonha grau 25. vida longa à internet, viva! e ontem teve show do los barbudos e o nome dele tava na lista. chique, eu sei. eu disse que o lance era quase profissional, carteira assinada, coisa e tal, curicutri. eu mando. e mesmo assim ele não foi. ta certo que nem sabia que tava na lista... mas não foi. e eu até que esperei um tico... hey, senta aqui, espera que eu não terminei. pra onde é que você foi que eu não te vejo mais? e sabe quando termina a música e o barbudo diz aquilo, sabe? aquela parte do achando que sofrer é a amar demais? mas não é demais. é amar um pouco. basta uma noite, uma mão. basta um silêncio foda. isso basta para ficar jururu pra caralho. me diz se assim está em paz? porque eu não to. não fico. não sem um abraço de 'tá bom, tá tudo bem'. e ele não vai mais nos shows, mas ela continua pulando pulando com seu all star detonado. até que alguém a ponha no chão. até.
Um comentário:
good points and the details are more specific than somewhere else, thanks.
- Thomas
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