eu to escrevendo essa carta ou qualquer coisa que seja com o coração na mão e sem saber, sem pensar. só sentindo, como eu sempre fiz. a gente se conhece , eu sei. já tivemos momentos íntimos e outros nem tanto. mas sempre que penso sobre fico sem saber se tudo foi só 'roupa espalhada pelo chão' e esporte. fantasmas assombram meus pensamentos quase-assumidamente-apaixonados, mas fantasma me lembra papai com lençol assustando filhinha e lençol me lembra sono. então me perco neles e acabo dormindo sem pensar muito. mas alguma coisa, que não sei o que, tem levado pensamentos embora e pintado você todos os dias. quando eu deito aconchegada lembro da sua carinha feliz, lembro como você sabe da importância de certas coisas, como sabe quão lindo é contar estrelas e ouvir motetos e como é seu silêncio quando me ouve cantar naquela fita velha de quando eu tinha poucos anos e poucos irmãos. lembro de como seu olhinho brilha quando você fala da sua irmazinha e como você é sincero quanto ao sabor do bolo. quando quentinha e aconchegada lembro de tardes deitadas e você frouxo de rir da minha bobeira. quando lembro disso dou risada baixinho, mas eu prometo que são risadinhas baixinhas mesmo, não se preocupe. mas parece que mesmo rindo alto, gargalhadas, gritos musicais ou qualquer outra manifestação sonora, você parece não notar. e isso me mata por dentro. me mata surdamente. e se eu não tivesse com muita, muita, mas muita vontade mesmo de te falar tudo isso, você nunca ia saber. e é ai que tudo vira uma grande bagunça - pelo menos para mim. risadas são coisas boas, não são? bolha-de-sabão me faz rir, chiclés e pirús me fazem rir. balão, pipa, língua de sogra, guarda-chuva, borboleta, pitanga, amora, purpurina e bambolê. então porque diabos eu acho que vou te incomodar se rir mais alto? eu sei qual queria que fosse a sua resposta. mas sei também que saber isso é saber nada. saber mais nada. igual sei sobre qualquer outra coisa sobre: nada. mentira. eu sei algumas coisas sim. sei que, desde aquele carnaval, cada vez, cada umazinha que a gente ficou junto era como se eu te amasse cada segundo desse tempo. eu entendo como as coisas foram, eu participei delas. mas é que um dia desses, misturando devaneios, lençóis e confetes, me apaixonei. e eu sei que você sabe, que sempre soube. e apesar disso ou de qualquer outra coisa agora sim você pode dizer que me sabe. me sabe mais que nua.
20.5.10
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